Croft Vintage Port 1900-1985

Croft Vintage Port 1900-1985

1900 
Cor com matizes tawny e toffee e auréola de tonalidade esverdeada. Um nariz muito limpo e fresco impregnado de um Boal maduro, mas com excelente definição e leveza. Aromas a figo seco, caramelo queimado e gengibre; após dez minutos, compota de laranja amarga; na verdade, o nariz torna-se cada vez mais fresco, mesmo após duas horas de permanência no copo. A boca é muito suave, um pouco viscosa com um toque de mel, limão amargo e especiarias, que se tornam mais fortes no final. Oxidativo em estilo, mas ainda assim concentrado, vigoroso e com um final fresco. Isto apresenta uma postura de ballet com um lindo gosto final a mel. Um grande Croft, ainda que não esteja dentro da mesma classe do Taylor’s de 1900. Para beber de imediato. 
 
1927 
Uma cor extraordinariamente mais profunda do que o de 1900, com um núcleo âmbar acastanhado profundo e uma auréola de tonalidade âmbar claro. O nariz é mais intenso, embora talvez menos definido, com menos joie-de-vivre que o mais oxidativo 1900. Alperces secos, manjerona, couro e casca de laranja. A boca é profunda e picante com sabor a mel Maduka, cinco especiarias chinesas e um toque de alcaçuz. Um Croft maduro com um estilo mais imponente e menos feminino mas, ainda assim de um final muito perseverante, com tabaco e especiarias a permanecer no gosto. Porque não é da mesma classe do Croft 1935, eu aconselharia abrir as garrafas de imediato ao invés de mais tarde. Deveria ser melhor, uma vez que é um vintage. Para beber já. 

1931 
Uma cor tawny mais pálida quando comparado com o de 1927 e, no entanto, mais profunda do que o de 1900. Falta um pouco vigor no nariz e o aroma seca com o passar do tempo: um toque de gengibre, madeira de sândalo e ferrugem, talvez desprovido de alguma personalidade? A boca não é tão ousada e ambiciosa com o de 1927, comparativamente desconexa e mais austera no final, mas, no entanto, tem bom peso no meio com toque a mel queimado, alcaçuz e figo. Linear no final. Passou o seu melhor. 

1935 
Uma visível e profunda tonalidade a madeira de mogno com uma auréola âmbar claro. Este é o mais antigo Croft com vestígios de fruta a permanecer no nariz e com notas de cerejas vermelhas maceradas, figos, bálsamo e alcaçuz. Complexo e envolvente, com muito boa leveza. A boca é excelente com imensa profundidade e complexidade, com um bonito sentido de equilíbrio natural e uma harmonia de especiarias, mel Manuka e tâmaras. Longo, sedutor e irresistível, é difícil de imaginar exatamente como é que um vinho do Porto pode ser melhor do que este imperioso Croft de 1935. Brilhante. 
 
1942 
Uma tonalidade âmbar pálido. O nariz é bastante debilitado, sem leveza e intensidade e com aromas desvanecidos a sangue seco e a casca de laranja, relativamente unidimensional quando comparado com gigantes como o de 1935 e de 1945, se bem que desenvolve um atraente aroma fumado com o decorrer do tempo no copo. A boca é melhor do que o nariz desvenda, com grande harmonia e uma ligeira textura viscosa. Na verdade, não posso deixar de sentir que gostaria que este vinho fosse um 1935, que teve uma época de crescimento mais propícia a tinturas de pimenta branca, figo seco e uma pitada de canela. Um agradável vinho do Porto, mas que decepciona pelo seu bouquet. Beba agora.

1945 
Uma cor muito mais profunda que o de 1942, como seria de esperar. Bastante límpido para um vinho com 62 anos de idade com um agradável e elegante nariz a gengibre, couro, figos, amêndoa e cerejas pretas no fundo. Muito refinado com uma sensação sedativa. A boca é pura e simplesmente sublime com uma acidez perfeita, rica e decadente para um Croft e, de certa forma, mais madura que o de 1935 graças ao verão indiano? Poderoso, especiado e quase decadente no final com mel silvestre, urze, figo, uvas passas e alcaçuz. Muito longo – este 1945 seduz com perfeição. Um maravilhoso vinho de Porto de 1945.
 
1947 
Uma tonalidade âmbar pálido com auréola tawny, semelhante ao Croft de 1942. Bastante unidimensional no nariz com um leve aroma a casca de laranja seca, um toque de compota de laranja e especiarias. Boa definição, apenas lhe faltando um pouco de intensidade. A boca é muito madura e doce com passas, cerejas maceradas, abrunhos e especiarias. Talvez lhe falte um pouco de contenção e estrutura para poder suportar toda a sua ambição. Almeja ser um vinho do Porto hedonista, mas não é equilibrado na sua complexidade e no seu conteúdo intelectual.
 
1948 
Um pouco mais profundo na cor que o de 1942 mas muito claro. O nariz é incrivelmente fresco e bem definido; poder-se-ia até descrever como "fulgurante”. Casca de laranja, um toque de gengibre, caixa de lápis e fumo. Muito enfocado. A boca não está muito distante do de 1945, mas com maior tensão e definição. Acidez vibrante, notas de mel, gengibre, figo seco, especiarias chinesas. Muito coeso, com um elegante e marcante final. Grande criação e estilo, um Croft realmente maravilhoso, talvez ofuscado pelo Taylor’s, o que é muito injusto. Fantástico. 
 
1955 
Um núcleo avermelhado com auréola clara. Um nariz ténue ao qual falta um pouco de leveza e personalidade com notas a caixa de charutos, ferrugem e frutos secos. A boca é melhor, com boa concentração, um vinho do Porto firme e robusto, masculino e conservador, sem floreados, enfocado com notas de amora, abrunhos, erva príncipe e figo com grande profundidade no final. Um Croft mais mercurial, mudando constantemente no copo e, ainda assim, voltando sempre como um vinho do Porto estoico, a antítese do mais extravagante 1947 (embora o 1955 seja muito superior). Beba agora, mas não tenha receio de o armazenar na adega por mais algum tempo. 
 
1960 
A primeira garrafa estava com sabor a rolha. A segunda garrafa tem um núcleo ligeiramente avermelhado com uma auréola tawny profunda. Um nariz maravilhosamente macio, impregnado com amora e um toque a abrunhos e coca que deveria ter uma maior definição. A boca é bem equilibrada com boa acidez, textura suave que encerra uma estrutura impressionante para um vinho do Porto de 1960. Flexível e complexo; notas de tabaco, café, figo e caramelo, que continuamente evolui no copo. Certamente um grande sucesso deste vintage, talvez até melhor do que o Taylor’s.

1963 
Outro núcleo avermelhado com auréola âmbar. O nariz é muito bem definido com feminilidade: raspa de laranja, vaso de rosas velhas, caixa de charuto e um toque de alcaçuz. Apresenta um elemento exótico no fundo que nunca vem à tona. A boca tem bom peso e está enfocada com uma textura doce e viscosa como o mel, mas talvez lhe falte a intelectualidade do de 1935 e de 1945. O final é muito elegante e suave, embora tivesse preferido uma maior longevidade. Um bom desempenho para a Croft, mas fora da classificação quando comparado com outros vinhos do Porto deste mesmo vintage.
 
1966 
Um núcleo ligeiramente mais profundo do que o de 1963. O nariz é muito maduro, com amora e tabaco com um toque de bálsamo, apenas lhe faltando um pouco de frescura e definição. A boca é semelhante ao 1963, muito bem equilibrada e coesa, uma textura ligeiramente viscosa, fresca e com excesso de joie-de-vivre e vivacidade. Morango silvestre, erva príncipe e figo no final, este é certamente o "cavalo a apostar” da década e, na minha humilde opinião, superior ao de 1963. Uma pequena jóia. 
 
1970 
Um núcleo avermelhado semelhante se bem que um pouco mais claro do que o de 1966. O nariz tem boa definição e enfoque com um atraente bouquet de carnes cozidas, amoras, especiarias e couro. Leve e feminino, embora nunca chegue a desenvolver a nuance que eu esperava que tivesse no copo. A boca é vigorosa, não tão elegante como o de 1966, um pouco mais alcoólico e não tão refinado, o final é mais linear com alcaçuz, toffee queimado e uvas passas. Longevidade moderada. Para beber agora. Muito bom se bem que não pertença à mesma liga dos Taylor’s ou sequer dos Fonseca.

1975 
Uma cor tawny pálida com auréola aguada. O nariz está totalmente maduro, unidimensional com toques de morango silvestre, mel e caixa de charuto, a necessitar de uma maior vitalidade. Na boca é meio encorpado, bem equilibrado, mas sem sofisticação e profundidade. Toque de pimenta branca, uva passa e cereja no final; este é realmente melhor do que o que estava à espera, se bem que certamente inferior em relação aos melhores vinhos do Porto da década anterior. Beba agora. 
 
1977 
Um núcleo clarete/granada claro. O nariz é maduro e atraente, mas sem estabelecer a complexidade de um Taylor’s de 1977, por exemplo. Notas de cereja, bagas vermelhas silvestres, gengibre e mel, embora a melhorar com o passar do tempo no copo com um elemento de folha de amoreira a surgir. A boca é doce, madura, muito primordial, tendo em consideração o vintage, arredondado na textura, macia, com uma exuberância de que não estava à espera. Isto deve melhorar com o tempo, mas eu preferiria mais aderência e persistência no final, e não posso deixar de sentir que é bastante…substituível?
 
1985 
Um núcleo granada claro com uma ligeira auréola tawny. O nariz é muito ténue e abafado, com toque a cravo, cereja macerada e bálsamo. A boca é meio encorpada, faltando alguma acidez e estrutura, textura suave mas revelando um vinho do Porto que se esforça demasiado por agradar. Fruta de bagas vermelhas doces no final, mas que continua a necessitar de um pouco de linhagem.